Afinar no Tempo é Preciso...
- 26 de out. de 2014
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Como já introduzido pelo post "Metrônomo e Surf" do Wilson Yusuf Neves, para estarmos sintonizados com a música contextual não basta afinarmos os instrumentos (que já é em si uma grande questão, pois não usamos o sistema temperado vigente e sim afinações justas. Mas isso é para outro post!), temos que nos afinar também! Este "nos afinar" é, claro, uma atenção na intenção da música em execução, mas também um estar afinado com o tempo musical.
Isto porque, como já dissemos na descrição da TEHP, todos os parâmetros musicais, inclusive as cores, estão harmonicamente relacionados na música contextual. E quando digo harmonizados, não é apenas uma força de expressão, é uma conexão real! E em sendo uma conexão real, no sentido físico do termo, temos que ser tão precisos no estarmos afinados temporalmente quanto somos na afinação de um instrumento musical.
Fisicamente falando, na música contextual, o ritmo, as notas, os timbres, as cores, são parcias harmônicos da estrutura musical. A precisão está nos relacionamentos frequenciais, sendo que estas frequências podem durar minutos em cada ciclo de um lado, com frequências de até 15 dígitos de Hz (ciclos por segundo) do outro lado!
O instrumento musical garante a afinação das notas e, de alguma maneira, o timbre (podendo também ser criado digitalmente). Mas para termos essa precisão temporal, precisamos utilizar constantemente um metrônomo. Todos no Espiral Harmônica Trio usam um fone de ouvido com um metrônomo soando em um ouvido enquanto nos escutamos com o outro. Dessa maneira podemos estar afinados no tempo musical.
Isto aparentemente soa simples, o que de alguma maneira é, mas quando digo precisão, esta deve ser de fato. Na música contextual, o que já deve estar claro, não utilizamos termos que dão apenas uma sugestão para o andamento, tais como Adagio, Allegretto ou Prestissimo, e sim pulsos em 55 bpm (que é um Si bemol), 123,75 bpm (um Dó) ou 206,25 bpm (um Lá) - estas frequências temporais e os nomes de notas não são absolutas, mas condizentes ao Contexto Manifesto utilizado, neste caso o Contexto Manifesto Ptolomaico.
Há músicas em que todos no Trio surfam na mesma onda, num mesmo pulso. Mas em outras músicas podemos ter para cada músico um pulso diferente, que também pode ser alterado numa mesma música!*
Nós, como surfistas musicais, temos que estar presentes a cada momento, nos harmonizando com a onda de energia temporal, porque além de fazermos o que está escrito, também improvisamos sobre ela, em conexão com a onda, em harmonia. Temos que nos tornar um parcial desta onda. Se em algum momento nos desconectamos, voltando a atenção sobre nós mesmos - nos tornando uma fundamental, ou melhor, um parcial-fundamental - tomamos um "caldo", somos derrubados da onda!
Temos que estar conectados ao harmônico da situação.
Tal qual o instrumento musical que é afinado, harmonizado, para estar em consonância com os parciais sonoros, o "instrumento músico" se afina, harmoniza, entra em consonância com os parciais rítmicos e temporais. Nas duas situações de consonância nós improvisamos, criamos sobre o Contexto dado, sobre o Destino.
Isto é assim no surf, na música, no estar no mundo, na vida!
Então, o que é sorte ou azar?
* Para ser possível esses pulsos independentes mas harmônicos entre si, programamos os metrônomos para cada música através do software Pure Data, o que também torna possível que as cores sejam "tocadas" em sincronia com a música!







































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