Serialismo Integral?! Não, não, não. Está mais para Harmonia Integral!!!
- 9 de fev. de 2015
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Eu gostaria de compartilhar e deixar registrado em post um debate bem interessante que surgiu em mídia social a partir do post: “Harmonia pra Valer!”.
De início fui indagado se a TEHP poderia ser um Serialismo Integral ressuscitado por conta da sentença: ”Agora imaginem a extrapolação deste exemplo, os harmônicos é claro!, para todos os parâmetros musicais e as cores, todos relacionados entre si, ou seja, como parciais harmônicos uns dos outros”. Então me coloquei:
Longe disso! Na realidade nem longe nem perto, é que não passa pela mesma estrada, rsrsrs!! O Serialismo Integral tem como base a série de 12 notas vindas do Temperamento Igual (e como demonstrado no texto, sem nenhuma relação harmônica possível entre as notas!), e a ideia de "Integral", no sentido de uma suposta concatenação entre tempos e notas, é tão arbitrária e nada harmônica tal qual o Temperamento Igual. O Serialismo Integral serializa (!) em séries de 12: as notas, os tempos, os timbres, as articulações, as dinâmicas, etc... sendo que as relações dentro da série e entre as séries são completamente arbitrárias e não harmônicas entre si. No caso da TEHP (Teoria da Espiral Harmônica Progressiva) as relações são sempre harmônicas porque são relações que se dão no âmbito da física ondulatória, de uma grande onda estacionária e seus parciais harmônicos. Quando digo que as relações se dão entre todos os parâmetros musicais e as cores (e isto é só o começo, rsrsrs!) é porque sustento que a questão energética, ondulatória, dependendo da sua manifestação, a percebemos por sentidos diferentes, e por conta disso damos nomes diferentes às percepções, mas que na realidade estamos sempre lidando com o mesmo fenômeno, ou seja, energia. Aproveitando o termo Serialismo Integral, poderíamos dizer que a TEHP está mais para Harmonia Integral!!! De qualquer maneira valeu pela "provocação"!! Se acharem oportuno deem uma olhada neste post “A Mudança de Paradigma em Curso” e em outros se curtirem. Valeu!!!!!
Na sequência, meu interlocutor se coloca: “Entendo quando vcs falam de "o sustento é a questão energética, ondulatória" ou "energia, seja mecânica em relação estrita ao som, seja eletromagnética em relação à luz". Entendo tb que vcs definem os produtos da frequência de movimentos ondulatórios (em clara alusão ao sistema tonal) como a base de organização de outros parâmetros sonoros. O que não consigo enxergar é porquê essa forma de organização seria menos "arbitrária" (citando o trecho acima) do que o sistema adotado no serialismo integral, no sistema tonal ou em qualquer outro sistema baseado em relações numéricas.” Agora minha vez:
A primeira questão que precisamos ter em mente, principalmente a partir do séc. XX, é que quase todos os sistemas de organização de alturas, como o serialismo integral ou tonal, têm como base o Temperamento Igual. E o que é o Temperamento Igual? É a divisão em 12 partes logarítmicas iguais da oitava (semitons). Sem precisarmos entrar na questão de porque o Ocidente entrou no caminho dos temperamentos, que são o desafinar de alguns intervalos para justificar a modulação entre tonalidades, culminando na total desafinação de todos os intervalos históricos, com exceção da oitava, que é o Temperamento Igual. Esta afinação não tem nenhuma possibilidade harmônica real. Por quê? Já que estamos falando de som, ou seja, energia, a harmonia no sentido real da palavra, e não no sentido musical usual, existe apenas quando tenho relações entre uma onda fundamental estacionária e seus parciais harmônicos, e mais em nenhum caso! E isto não é arbitrário, isto é física. As afinações históricas, como a Pitagórica e a Justa, e mesmo de outras culturas como a chinesa ou indiana, mesmo sem ter o suporte da física moderna, criaram afinações que respeitaram esta harmonia real fazendo largo uso dos parciais 3 e 5 (as nossas quintas justas e terças maiores, respectivamente). Outra coisa, nós não usamos o sistema tonal como a base da organização de outros parâmetros sonoros. Nós estamos usando, apenas neste momento e que está resultando num grupo de obras, a afinação Justa (ou Ptolomaica) como contexto, como filtro, sobre uma base harmônica incomensuravelmente maior (para entender o que chamamos de Contexto dentro da TEHP, ver o post: “O Destino é um Contexto”). Poderia ser dito que a escolha da afinação Justa (link) como Contexto possa ser arbitrária, mas eu diria que é uma escolha artística, porque é uma escolha dentro de contextos harmônicos reais, o que fica em acordo com o assumido pela TEHP (link), além do que é uma possibilidade de fazer conversar harmonicamente uma teoria musical moderna com uma renascentista! Mas temos em nossas mangas muitas outras possibilidades de contextos, bem diferentes do sistema tonal e algumas nem imaginadas como possíveis... mas aí já é outra história, rsrs.
E a interlocução continua: “eu diria que é uma escolha artística". Aí concordamos, Eduardo! Vcs estão adotando a afinação justa em oposição ao sistema temperado. Um sistema de alturas permite trabalhar com múltiplos de frequências o outro sistema permite trabalhar com relações equivalentes em várias tonalidades. Os dois sistemas excluem algumas combinações e priorizam outras. Sem dúvida isso é uma escolha estética. Enquanto estivermos falando de alturas, concordamos. O que não parece ter fundamento é o uso de um sistema de organização de alturas para justificar a organização do tempo ou de outros parâmetros sonoros (como fizeram Boulez e Stockhausen).” E novamente me coloco:
Na realidade, não fazemos oposição ao sistema temperado, ele é simplesmente descartado por não ser harmônico! Como o nosso ponto de saída é a Harmonia real, o sistema temperado está completamente fora de questão, pois ele apenas apresenta uma "harmonia" formal e não real, porque mantêm os mesmos termos, mas só os termos, de afinações justas anteriores nas quais ele foi baseado. Quanto à concordância e sintonia dos vários parâmetros musicais, inclusive as cores e outras coisinhas mais, a TEHP não usa nenhum sistema de organização de alturas para justificar a organização destes outros parâmetros, porque, de fato, um sistema de organização de alturas, mesmo que realmente harmônico, não sustenta tal afirmação. O que a TEHP sustenta (e que está representado no desenho da espiral harmônica, que por sinal não é uma espiral qualquer, mas um desenho que demonstra estas relações) é que uma energia, ou uma onda estacionária, não está restrita apenas ao âmbito sonoro, é claro, mas sendo tanto as camadas elétricas numa molécula, como o movimento de translação da Terra ao redor do Sol. Todas ondas estacionárias, e como tais possuem os parciais harmônicos inerentes a essa onda fundamental. Como o Yusuf Neves disse, ao vivo poderíamos trocar mais figurinhas, o que seria mais proveitoso e agradável, mas de qualquer maneira acredito que o fundamento foi dito. Se vc tiver paciência e interesse dê uma olhadinha nestes posts, onde estes assuntos ficam sendo pincelados: Tag Eduardo Penha.
É isso! Quero agradecer meu interlocutor pelas colocações, porque o trabalho para se colocar no mundo através de uma situação diferenciada - no caso com a TEHP e o grupo Espiral Harmônica - é árduo, e com manifestações inteligentes e “provocadoras” o caminho pode ficar mais consolidado.
Valeu!!!







































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